O quinto filho, de Doris Lessing

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No que diz respeito à escolha de autores, eu sempre fui uma pessoa um bocado preconceituosa. Na adolescência, recusava-me a ler tudo aquilo que cheirasse a best-seller, mesmo que com isso deixasse passar alguns clássicos: Erich Maria Remarke, Ernst Hemingway, Hermann Hesse… como também uma autora extremamente popular, cujos livros enchiam as prateleiras de qualquer biblioteca dos anos 1980 e 90: a britânica nascida no Irã Doris Lessing.

Fui conhecer Doris Lessing apenas à custa de necessidade. Estava na praia do Tofo, no Moçambique, e como não houvesse meio de carregar meu iPad, uma bolorenta edição alemã de O quinto filho era o único livro que me havia à disposição. E confesso que a espera valeu a pena: trata-se, para mim, do melhor livro do ano até o momento.

O quinto filho é um livro curto, de pouco mais de 100 páginas, concebido como uma espécie de fábula às avessas, e narra a infeliz história de um jovem casal perfeito, Harriet e David, cujo pequeno idílio familiar cai completamente por terra após à chegada de Ben, o quinto rebento. Narrado com um forte tom de crônica jornalística no qual preponderam a acidez e a ironia, o livro oferece-nos uma crítica ferrenha à hipócrita sociedade britânica, ao mesmo tempo em que revela a verdadeira essência do vínculo maternal.

Após conhecerem-se numa festa de escritório, Harriet e David descobrem um no outro o parceiro perfeito para as suas ambições pequeno-burguesas. Avessos às tendências libertárias dos anos 1960, os dois decidem se casar, comprar uma imensa casa vitoriana e enche-la de filhos, levando uma vidinha feliz e sem grandes arrebatamentos, baseada nos princípios da fidelidade e da estabilidade familiar. No começo, tudo corre bem, e a casa se torna o refúgio de uma infinidade de parentes e amigos ansiosos por compartilhar seu paraíso doméstico – as contas até se acumulam devido à eterna romaria de visitantes. Sua sorte, no entanto, mudará drasticamente desde a concepção do quinto filho, cujo desenvolvimento ainda no útero é de tal forma violento que provoca a rejeição imediata de uma mãe até então exemplar. Completamente fora do controle, Harriet tem a impressão de que o filho está a tentar mata-la por dentro, sensação que só tende a agravar com o nascimento difícil, seguido de uma amamentação catastrófica e de um primeiro ano ainda pior. O menino, de aparência estranha e pouco delicada, que em tudo mais parece um neandertal, revela-se rapidamente como uma ameaça aos próprios irmãos e primos, uma espécie de changelin deixado pelos trolls, cujas tendências violentas e ímpeto assassino destroem pouco a pouco a unidade familiar. Gradualmente, a pequena família modelo começa a ruir, seja pela irritabilidade constante de uma mãe à beira de um ataque de nervos, seja pela frieza do pai, ou pela ameaça constante desse estranho no ninho. Os visitantes começam a minguar, a vida torna-se insuportável… Mas haverá uma solução “limpa” para o problema de David e Harriet? Será a mãe capaz de se livrar do próprio filho, mesmo que o seu sentimento por ele tenha sempre sido o de repulsa e aversão?

Ao referir-se posteriormente ao processo criativo de O quinto filho, seu trigésimo-quinto livro, Doris Lessing, ganhadora do Prêmio Nobel da Literatura em 2007, afirma ter simplesmente odiado escreve-lo. Trata-se, de fato, de uma história de horror digna dos clássicos de Edgar Allan Poe, de um Bebê de Rosemary sem efeitos especiais, cujo senso de tragédia não deixará impassível nem o mais crítico dos leitores, e que deve seguramente ter revirado o estômago da própria autora. Trata-se, afinal, de uma metáfora poderosa, cujos ecos dificilmente sairão da memória do leitor, e que certamente trará pesadelos a qualquer leitora grávida ou ansiosa para ter um bebê. Um livro que põe em causa o conceito de maternidade, que questiona aquela ideia de felicidade dos comerciais de margarina, e que nos faz refletir sobre nossa própria humanidade. Em suma, um livro delicioso, apavorante, incontornável!

 

Título original: The Fifth Child

País: Reino Unido

Idioma original: inglês

Ano de publicação: 1988

Edição brasileira: Record (ISBN 85-0103-418-5)

Edição portuguesa: Europa América (ISBN 560-107-2033-04-7)

Número de páginas: 128 (edição brasileira), 173 (edição portuguesa)

A definição do amor, de Jorge Reis-Sá

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Escrever a resenha de um único romance de cada país do mundo implica uma escolha que só mesmo um grande leitor conseguirá entender. Ao longo dos últimos treze meses, debati-me com as más escolhas, torturei-me após encontrar, poucos dias depois de ter lido um livro do qual não gostei tanto, um outro que me pareceu irresistível, principalmente por saber que não poderei voltar a ele antes de terminar o périplo de mais de 200 países ao qual me lancei. Muitos leitores e amigos me perguntaram porque eu ainda não tinha lido nenhum livro português, e a resposta era simples: queria adiar ao máximo a escolha, sabendo que seguramente iria me arrepender de tê-la feito, por melhor que fosse o romance escolhido. Mas toda espera chega ao fim. Depois de protelar por mais de um ano antes de eleger o meu representante da terra lusa, eis em primeiríssima mão aquela que talvez seja a primeira resenha de um romance lançado há menos de 20 dias: A definição do amor, do escritor português Jorge Reis-Sá.

A definição do amor narra uma história triste e invulgar. O professor de filosofia Francisco, casado há alguns anos com a bela Susana, com quem tem um filho ainda bebê, recebe num dia de primavera a notícia de que sua mulher se encontra no hospital. Ao lá chegar, descobre que a esposa foi vítima de um AVC, e recebe sem compreender o diagnóstico de morte cerebral. Ao lado da notícia avassaladora, chega-lhe a informação de que ela se encontrava na segunda semana de gestação. Nos meses que seguem, Francisco verá a mulher amada transformar-se na passiva incubadora da filha que lhe tirou a existência, uma vez que o AVC foi causado por essa gravidez indesejada, e passará por um processo de transformação capaz de levá-lo não apenas à aceitação da perda inevitável, mas também a uma espécie melancólica de alegria por aquela vida que lhe tolheu a felicidade.

Os fãs de enredos mirabolantes não encontrarão neste romance um terreno muito fértil. Que mais poderíamos esperar, se a heroína está estática, e o herói-narrador, guardião do seu sonho sem sonhos, permanece quase todo o tempo velando por ela? Quase nada de novo se passa – e o pouco que se passa, acontece sobretudo no plano psicológico. A linguagem, um tanto lírica, pode cansar os leitores menos afeitos à prosa poética; no entanto, é mais que adequada ao tratamento dado ao tema. E o que poderia ter havido de piegas é quebrado por um desfecho mais que inesperado, narrado em poucas linhas, que pegará qualquer leitor desprevenido e terá o efeito impactante de um nocaute.

O livro é constituído por quase 300 páginas que se leem muito rapidamente, graças a uma diagramação generosa e à cadência narrativa. A trama principal, narrada em capítulos divididos por meses, é intermeada por capítulos mais curtos, chamados de “Véspera”, cujas vozes narrativas em primeira pessoa serão no princípio difíceis de compreender. Trata-se do eco da existência de pessoas que já se foram, todas elas indiretamente ligadas ao protagonista: os futuros vizinhos de Susana no cemitério. Por meio dessas vozes do passado, o leitor é confrontado com diferentes – e pouco ortodoxas – histórias de amor, e suas consequências: o amor incestuoso entre uma tia e um sobrinho, o amor homossexual e pedófilo entre um padre e seus pupilos, e assim por diante. Caberá ao leitor confrontar essas histórias alquebradas à trama central. Por fim, não é a reação à morte da pessoa amada o que nos permite visualizar a definição do amor de que fala o título, mas sim o desaparecimento daquele sentimento tão inefável que nos define como seres humanos: a esperança.

Se as livrarias de Lisboa estão repletas de candidatos que me seduzem com suas capas como as sereias de Ulisses, provavelmente me arrependerei cedo ou tarde de ter feito a minha escolha. Já agora, fico no entanto com o sossego de que espera valeu a pena.

Título original: A definição do amor

País: Portugal

Idioma original: português

Ano de publicação: 2015

Edição portuguesa: Guerra & Paz (ISBN 978-989-7021-37-4)

Edição brasileira: não há

Número de páginas: 272

Top 2014 & Perspectivas 2015

Queridos grandes leitores,

antes de abrir um novo capítulo, cheio de perspectivas & novas resoluções, é sempre bom passar o ano em perspectiva, e relembrar os melhores momentos do capítulo que acabamos de acabar.

Assim, antes de publicar a primeira resenha do ano  – que já está a caminho – e lançar o meu desafio de leitura para 2015, gostaria de homenagear os melhores livros de 2014. A seleção é curta, e não segue ordem de preferência (até porque seria impossível escolher), mas dá conta da vastidão geográfica abrangida por esses primeiros 8 meses do meu projeto de “ler o mundo”:

Hwang_HenCoreia do Sul

The Hen Who Thought She Could Fly, de Sun-Mi Hwang – uma bela fábula sobre o amor materno, uma história sobre amor e entrega, capaz de derreter corações de gelo: eis a história de Sprout, uma corajosa galinha que enfrenta o possível e o impossível em busca daquilo que lhe é mais precioso.

Koch_JantarHolanda

O Jantar, de Herman Koch – uma espécie de thriller ácido e cheio de cinismo, repleto de personagens nada carismáticas, mas que é simplesmente impossível deixar de ler: O Jantar tem todos os elementos para ser considerado “um livro perfeito”.

5Nigéria

O mundo se despedaça, de Chinua Achebe – um clássico da literatura universal, considerado um dos melhores livros africanos de todos os tempos, e que com certeza mereceria figurar em todas as bibliotecas do mundo ao lado de Victor Hugo, Charles Dickens e Dostoievski.

14Sri-Lanka

A onda, de Sonali Deraniyagala – a tocante autobiografia de uma mulher que perdeu tudo o que mais amava no Tsunami de 2004. Uma bela homenagem não só àqueles que perdemos, como também à memória do que deles resta dentro de nós.

PRECISAMOS_DE_NOVOS_NOMES_capa.pdfZimbábue

Precisamos de novos nomes, de NoViolet Bulawaio – o imperdível romance de formação sobre uma menina africana, narrado com uma sensibilidade ímpar na literatura contemporânea (e que agora já saiu em português!!!)

Desde abril de 2014, o blog tem se mantido firme no propósito de recomendar a leitores de língua portuguesa UM LIVRO de CADA PAÍS DO MUNDO, chegando, nesses primeiros 8 meses, à marca de 30 países. Parece pouco comparado ao tamanho do que falta – segundo a ONU, existem 191 países no mundo -, mas, a cada nova descoberta, o objetivo tem se tornado cada vez mais firme.

No final de 2015, esperamos poder alcançar a marca de 80 países. Pode ser um objetivo ambicioso, mas dá conta do prazer que a descoberta tem proporcionado.

Feliz leituras & bom 2015!

Gabriela Antunes

The Hen Who Dreamed She Could Fly, de Sun-mi Hwang

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A maternidade pode ser considerada um dos mais longevos temas da arte universal, e muitos grandes autores, como Jean-Jacques Rousseau, Máximo Gorkhi, Bertold Brecht, e J. M. Coetzee, já se debruçaram sobre esse tantas vezes estudado estado de graça.

Quer a sabedoria popular que ser mãe é padecer no paraíso, e que boa mesmo é a mãe-galinha. Pois eis que vem da Coreia do Sul um livro que não apenas toma a segunda expressão ao pé da letra, mas que também oferece uma das mais singelas e comoventes imagens da maternidade que a literatura já conheceu.

A galinha que sonhava que podia voar é uma espécie de fábula que narra a história de Sprout (em português, Broto ou Rebento), uma galinha que não se encaixa bem nos padrões da sua espécie. Condenada a uma vida de prisioneira botando ovos em uma fazenda, Sprout nunca deixou de sonhar com o impossível: levar uma vida em liberdade podendo enfim ter a alegria de chocar um de seus ovos. Mas a realidade não sai nada como na sua ilusão: descartada para o degoladouro tão logo se torna improdutiva, escapa por um triz da faca dos fazendeiros, e por pouco não acaba presa de uma doninha. No celeiro, é vítima do ostracismo até mesmo dos de sua espécie, e encontra num pato selvagem igualmente excluído o único amigo de uma vida. Quando, um dia, encontra um ovo abandonado e resolve sentar-se nele, esta pequena personagem acaba ganhando asas para o infinito. Mas como nem só de rosas consiste a maternidade, Sprout enfrenta suas alegrias e dores com firmeza, enquanto se transforma numa verdadeira mãe-coragem e luta contra todas as forças da natureza para proteger o filho adotivo, até que ele abandone enfim o ninho e a mãe, caminho natural de todos os filhos.

A trama, que se tornou quase instantaneamente um best-seller mundial, deu origem ao filme de animação Leafie, uma galinha rumo à natureza selvagem (2011), um dos maiores sucessos do cinema infantil sul-coreano. Mas, embora histórias com animais quase sempre sejam compatíveis com o público jovem, o livro de Sun-Mi Hwang é muito mais que uma narrativa para crianças. A história de Sprout, comovente metáfora das flores e espinhos da maternidade, propõe-nos refletir sobre o poder desse amor solitário e incondicional, que transcende as diferenças e não espera recompensas, bem como sobre temas como a velhice, o ciclo da vida e a mortalidade.

Contrariamente ao filme de animação, o livro ainda não foi traduzido para a língua de Camões. Mas o grande leitor que se aventurar em outro idioma terá diante de si uma novela inesquecível, à qual se acresce a imensa força narrativa de Sun-Mi Hwang, bem como sua capacidade de tornar épica uma história tão simples, e contar de forma tão simples uma história tão imensa. E haverá de concordar que Sprout entrou para o rol das grandes mães da literatura universal, que A galinha que sonhava que podia voar é uma bela homenagem a todas as mães de mundo, e que faz com que o leitor sinta vontade de ir correndo abraçar a sua.

 

Título original: 마당을 나온 암탉 (The Hen Who Dreamed She Could Fly)

País: Coréia do Sul

Idioma original: coreano

Ano de publicação: 2000

Edição em inglês: Penguin (ISBN 978-014-3123-20-0)

Tradução para o inglês: Chi-Young Kim

Edição brasileira/portuguesa: não há

Número de páginas: 144 (edição em inglês)

O conflito: A mulher e a mãe, de Elisabeth Badinter

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Vivemos um verdadeiro retrocesso no que diz respeito à função da mulher na sociedade. Depois de décadas de luta por direitos iguais, a mulher vem perdendo novamente espaço graças ao aparecimento de um novo tirano: o filho. Eis o ponto de partida de O conflito: A mulher e a mãe, o mais recente trabalho da francesa Elisabeth Badinter.

Três décadas após o polêmico Um amor conquistado: O mito do amor materno, a filósofa feminista que chocou o mundo ao contestar o “instinto materno” volta a causar desconforto ao analisar a ambiguidade mãe-mulher na sociedade contemporânea. Tomando como foco o desenvolvimento histórico-social recente, a autora baseia-se nas baixas taxas de natalidade dos países desenvolvidos, e se pergunta sobre os motivos pelos quais eles têm vivido um decréscimo avassalador no número de nascimentos. Para encontrar uma resposta, ela analisa não apenas as políticas governamentais para motivar a população a ter filhos e o contexto socioeconômico no qual estão inseridas boa parte das mulheres que optam por não serem mães, mas também o peso de um fantasma que aterroriza as mulheres em idade fértil: o mito da mãe exemplar.

À contramão do entusiasmo com os avanços tecnológicos no século XX, o novo milênio é marcado por uma desconfiança coletiva do artificial. A partir da ideia de que tudo o que é “químico” faz mal, optamos pelo orgânico e pelo “natural”, fundando-nos na crença da sabedoria da “Mãe Natureza”. Por consequência, muitas mulheres – sobretudo as mais escolarizadas – desconfiam da pílula anticoncepcional, e condenam a peridural e a cesariana com base na ideia de que a ausência da dor anula o valor do rito iniciático do parto. Com a chegada dos filhos, preferem fraldas laváveis em vez de descartáveis, e condenam o leite em pó graças ao mito de que o leite materno contribui para o desenvolvimento cognitivo dos bebês. A mulher incapaz de amamentar por motivos fisiológicos sente-se incompleta, e aquela que opta pelo leite em pó por vontade própria é tratada como párea, indigna do presente que é a maternidade. Ao longo da infância do filho, a mãe é vista como a principal responsável pelo seu desenvolvimento, e sofre uma forte pressão social para que abdique de si mesma, partindo do princípio de que o filho deve estar sempre em primeiro lugar. Ao mesmo tempo, o quadro de divisão das tarefas domésticas entre os sexos mantem-se estagnado. Com tudo isso, a mulher do século XXI tende a buscar sua realização pessoal fora da maternidade, e acaba pospondo o desejo de ser mãe para não ter que optar entre papeis aparentemente inconciliáveis: o de mãe exemplar e o de mulher bem-sucedida professional e sexualmente.

À primeira vista, as reflexões de O conflito parecem muito distantes da realidade tupiniquim. Sem os inúmeros benefícios dos países de primeiro mundo, a mulher brasileira não pode se dar ao luxo de optar por ser mãe a tempo integral, e tem muitas vezes que trabalhar desde cedo, deixando os filhos aos cuidados de estranhos. Com isso, o fantasma da mãe perfeita acaba não se fazendo tão presente quanto nos países desenvolvidos. Por outro lado, sobretudo nas camadas mais favorecidas da população, já é possível notar uma certa tendência ao “naturalismo”, e cada vez mais mulheres escolarizadas abdicam da carreira para cuidar dos filhos – diante de um mercado de trabalho que não as valoriza, é bem necessário buscar outras fontes de auto-concretização. Ademais, a julgar pelo rápido decréscimo das taxas de natalidade no Brasil, assim como pelo aumento da idade média para ter filhos, pode-se dizer que a tendência dos países europeus faz-se sentir pouco a pouco também por aqui.

Um aspecto a ser criticado no ensaio de Badinter é o fato de que, ao falar do sentimento ambíguo vivido por mães do século XXI, a autora baseia-se em relatos de caráter semiliterário, o que torna questionável a validade dos seus argumentos, que teriam sido mais convincentes se fossem embasados em pesquisas de campo Ademais, é possível se perguntar se a autora, no seu desejo de “dizer a verdade”, não acaba caindo em generalizações e interpretações precipitadas. Em todo o caso, não estamos diante de um estudo acadêmico, mas sim de um ensaio filosófico, e a parcialidade, nesse tipo de literatura, é perdoável.

Apesar dos pesares, O conflito é uma leitura interessante, fácil e agradável, recomendável não apenas para mulheres preocupadas com a questão da maternidade, como também para todos aqueles – homens e mulheres – interessados numa reflexão perspicaz e acurada sobre a sociedade contemporânea.

Título original: Le conflit: La femme et la mère

País: França

Idioma original: francês

Ano de publicação: 2010

Edição portuguesa: Relógio d’Água (ISBN 978-989-6411-83-1)

Edição brasileira: Record (ISBN 978-850-1091-99-4)

Número de páginas: 168 (edição portuguesa), 224 (edição brasileira)