Eu sou Malala, de Malala Yousafzai e Christina Lamb

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Eu sou Malala é um livro que dispensa apresentações. Mais famoso que Paulo Coelho, mais disputado que o último CD de Justin Bieber, o livro que narra a trajetória da “menina que foi baleada pelo Talibã” correu rapidamente o mundo, fazendo da jovem paquistanesa uma figura carimbada, e servindo de trampolim para que ela se tornasse o mais jovem Prêmio Nobel da Paz de todos os tempos. Ironicamente, o que Malala não cansa de repetir ao longo das quase 400 páginas de sua autobiografia é que ela não desejava ser conhecida por ter tomado um tiro no rosto, mas sim pela sua luta para promover a educação em seu país de origem. Mas será que o seu ativismo político é realmente o motivo de tão grande celebridade?

Para já, chamar o best seller de autobiografia por si só deveria levantar uma série de reticências: sabemos que o livro foi escrito em coautoria com a jornalista inglesa Christina Lamb, especialista em países de democracia duvidosa, como o Oriente Médio, a África do Sul e o Brasil. Se os méritos de uma narrativa tão detalhada – e muitas vezes até mesmo aborrecida – só podem ser atribuídos à própria Malala, foi sem dúvidas a experiente jornalista quem conseguiu transformar a matéria bruta num sucesso comercial, digno dos 3 milhões de dólares que a menina teria recebido pelos direitos autorais.

Seria perda de tempo (meu e vosso) dedicar mais de meia dúzia de linhas ao enredo mais que conhecido: Malala, uma estudante da região de Swat, tornou-se conhecida graças ao seu discurso em prol da escolaridade de meninas em seu país natal, devastado pelo Talibã. Sua loquacidade só se tornou possível graças ao apoio do pai, diretor da escola onde estudava e empenhado combatente pelos Direitos Humanos. O comportamento pouco convencional de pai e filha fez com que terminassem na mira dos fanáticos islamistas, que os acusavam de secularização e ocidentalização. Mas não estamos aqui para julgar a coragem de Malala, mas sim a qualidade de sua biografia.

O livro, bastante recheado, e decorado por uma longa sessão de fotografias em guisa de apêndice, tenta intercalar os quinze anos de vida de Malala a um vasto aparato de informações históricas, no intuito de alinhar a micro e a macro narrativa. Tudo isso, é claro, sem deixar de lado inúmeras anedotas do cotidiano, como as banais historietas de disputas com as amigas pelo título de melhor aluna da escola, a fim de oferecer ao leitor uma Malala mais “humana”, cheia de erros, mas que não deixou que o sucesso e a celebridade lhe subissem à cabeça. Tal fórmula, acrescida das incontáveis frases de efeito motivacional que poderiam ter sido retiradas diretamente de O alquimista, tornam a leitura enervante, e não nos surpreendemos nem um pouco ao descobrir que a heroína pela educação é, de fato, uma fã de carteirinha do escritor brasileiro mais vendido de todos os tempos. Para terminar, o livro surpreende pela falta de espírito crítico de uma menina tão politizada, quando se trata de elogiar sem precedentes um outro ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama, no qual ela parece não ver nem a sombra de boa parte da culpa pela presença dos talibãs em seu amado Paquistão. Ironicamente, os mesmos talibãs que quase conseguiram silenciá-la. Seria a Malala tão ingênua, ou tratar-se-ia apenas de um recurso editorial para fazer o livro mais apresentável, mais conforme à sensibilidade do leitor ocidental? A julgar pelo fato de que, em entrevistas e debates anteriores à publicação da biografia, Malala levantou sim a voz para criticar abertamente a intervenção militar e as políticas estadunidenses no Paquistão, tendo a me deixar levar pela segunda opção.

Obviamente, não estou a colocar em causa a importância da mensagem que Malala veio dar ao mundo, mas sim a parcialidade e o maniqueísmo de um livro feito para agradar as grandes massas. Um livro que perdeu uma excelente oportunidade de contextualizar o crescimento da força de grupos extremistas a partir de 2001, e de questionar o papel dos Estados Unidos e da “luta contra o terror” no crescente estado de guerra que domina o Oriente Médio.

Ao fim de uma leitura não completamente maçante, mas que mesmo assim me custou duas semanas, fica a lição: da próxima vez, eleger uma obra de literatura de verdade.

Título original: I Am Malala: The Girl Who Stood Up for Education and Was Shot by the Taliban

País: Paquistão

Idioma original: inglês

Ano de publicação: 2012

Edição brasileira: Companhia das Letras (ISBN 978-853-5923-43-8)

Edição portuguesa: Presença (ISBN: 978-972-2351-73-7)

Número de páginas: 360 (edição brasileira), 352 (edição portuguesa)

 

 

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O homem é um grande faisão no mundo, de Herta Müller

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Tenho estudado a língua de Goethe desde exatamente a metade dos meus anos de vida. E se tanto esforço e dedicação serviram para me permitir hoje ler Herta Müller no original, então o esforço valeu a pena: O homem é um grande faisão no mundo, de autoria da premiada escritora romena de expressão alemã, é simplesmente um soco na boca do estômago!

Escrito em 1986, o livro conta a história de uma pequena família de ascendência alemã vivendo num minúsculo vilarejo perdido na região de Banat, no oeste da Romênia, em plenos anos de ferro da ditadura de Nicolae Ceaușescu. Culturalmente germânicos, os três membros da família Windisch aguardam sem grande esperança a chegada da tão sonhada autorização que lhes permitirá imigrar para a Alemanha Ocidental, enquanto a maioria de seus conhecidos romeno-alemães já partiu em debandada. Seu cotidiano difícil e sofrido, como vítimas de exclusão e corrupção por não serem romenos, bem como seus demônios internos e seu passado traumático, são narrados de forma arrastada, enquanto a vida parece se encontrar em stand-by… Até que eles se deparam com a dura realidade: a fim de obter a tão esperada carta, é preciso enviar sua única filha para saciar o apetite sexual dos poderosos de plantão.

Superada uma eventual dificuldade inicial, o livro curto – com pouco mais de cem páginas – pode ser lido numa só assentada. É verdade que pode não ser fácil habituar-se ao estilo literário da escritora, ganhadora do Prêmio Nobel da Literatura de 2009. Suas frases extremamente curtas e concisas, que dispensam orações subordinadas e flertam com o vocabulário da língua alemã numa espécie de prosa poética, podem gerar no leitor desavisado uma certa resistência inicial, a qual no entanto se desvanece ao cabo de uma dezena de páginas, dando lugar a uma latente admiração. Afinal, a densidade de seus escritos, sua prosa honesta e dolorosa, bem como seu alto teor poético, fazem da escritora uma verdadeira alquimista das letras, daquelas que conseguem transpor todo um universo psicológico por meio da junção de meia dúzia de palavras. Uma prosa lacônica, de fato, mas muito bem colocada, na qual não se dispersa energia em adornos desnecessários, colocando-se o dedo imediatamente na ferida.

Alguns de seus curtos capítulos, como aquela que descreve em pouco mais de três páginas os anos de guerra da mãe, Katharina, passados numa barraca na Rússia, ficarão para sempre ecoando na minha memória. Só mesmo um grande gênio literário é capaz de transcender as barreiras da narrativa, gerando uma identificação imediata que vai além dos limites da escrita, e permitindo-nos chorar o destino de homens e mulheres ficcionais como se de verdadeiros amigos ou familiares se tratasse. Eis a mágica de que é capaz Herta Müller. E eis o motivo pelo qual todos devemos lê-la.

Boa leitura!

Título original: Der Mensch ist ein großer Fasan auf der Welt

País: Romênia

Idioma original: alemão

Ano de publicação: 1986

Título brasileiro: O homem é um grande faisão no mundo

Edição brasileira: Companhia das Letras (ISBN: 978-853-5922-16-5)

Título português: O homem é um grande faisão sobre a Terra

Edição portuguesa: Cotovia (ISBN: 978-972-8028-18-3)

Número de páginas: 136 (edição brasileira), 112 (edição portuguesa)

Muito longe de casa, de Ishmael Beah

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Depois de quase 100 livros de países diferentes, é fácil a leitura se tornar repetitiva. Por isso, apesar das incontáveis críticas favoráveis, das traduções em todas as línguas possíveis, e das diversas edições em português (duas no Brasil), vinha adiando a leitura de Ishmael Beah. Afinal, este seria o meu terceiro livro sobre meninos-soldados num país africano.* O que ele me traria de novo?

Sabemos que a decisão sobre se um livro deve ou não ser publicado decorre sempre de interesses mercadológicos. Quanto mais polêmico o tema, maior o potencial de um livro vender, portanto maiores as chances de o autor ser editado. Esta limitação à lógica capitalista certamente condena milhões de escritores ao redor do mundo a jamais encontrarem uma editora, sobretudo quando se trata de autores oriundos de países excluídos do mapa cultural. Como resultado, grande parte dos romances africanos que tenho encontrado inserem-se fatidicamente nas mesmas velhas temáticas: a guerra, o massacre, e a miséria. Não que não se trate de sujeitos importantes. Contudo, está claro que a literatura africana não é – e nem poderia ser – só isso! Onde está a boa e bela literatura desengajada, atemporal e universal?

À revelia desta e de outras reflexões, chegou esta semana a vez de Serra Leoa. E é preciso dizer que, ao explorar mais do mesmo, Muito longe de casa traz-nos sem sombra de dúvidas algo ainda não visto. Afinal, não estamos diante de um romance, mas sim de um testemunho (palavra que eu odeio, porque geralmente exclui o valor poético e literário de uma obra) em primeira pessoa, escrito por não apenas uma testemunho ocular, mas também por um agente diretamente envolvido na guerra que nos tenta reconstruir. Mas não é só isso: a boa surpresa é que a experiência de Beah como soldado abarca menos de 20% do livro. Antes disso, temos um detalhado relato do que foi a sua vida desde que seu vilarejo foi tomado pelos rebeldes, perambulando esfomeado por cerca de um ano, a fugir da morte em cada esquina. Depois, uma igualmente extensa exposição de seu lento processo de redenção, de sua ascensão a porta-voz da Serra Leoa numa conferência da ONU em Nova Iorque, e da sua fuga à vizinha Guiné Konakri quando a guerra voltou a bater na sua porta.

Embora alguns dos fatos narrados sejam tão inacreditáveis que quase se poderia pensar numa peripécia literária (por exemplo, o fato de o vilarejo onde sua família se encontrava ter sido inteiramente destruído apenas poucos minutos antes de ele lá chegar, depois de um ano de separação), o que Ishmael Beah alcança com seu relato pungente é justamente o oposto do que eu havia temido: uma total e absoluta desromantização da guerra e de seu suposto heroísmo. Em vez disso, o ex-menino-soldado apaixonado por Shakespeare e de forte veia poética oferece-nos um relato sincero e sem rodeios das consequências de um conflito para os seus envolvidos, sobretudo no que diz respeito à dissolução do humano e à banalização da morte.

Pelo seu caráter honesto, mas também pelo fato de que se trata de um livro realmente envolvente e bem escrito, Muito longe de casa deveria se tornar uma leitura obrigatória.

* Para quem perdeu as outras resenhas:

Alá não é obrigado, de Ahmadou Kouroumá (Costa do Marfim)

Beneath the Darkening Sky, de Majok Tulba (Sudão do Sul)

 

Título original: A Long Way Gone: Memoirs of a Boy Soldier

País: Serra Leoa

Idioma original: inglês

Ano de publicação: 2007

Título brasileiro: Muito longe de casa: Memórias de um menino-soldado

Edição brasileira: Ediouro (ISBN 978-850-0021-21-3)

Edição brasileira 2: Companhia das Letras (ISBN: 978-853-5925-42-5)

Título português: Uma longa caminhada: Memórias de um menino soldado

Edição portuguesa: Casa das Letras (ISBN 978-972-4617-27-5)

Número de páginas: 224 (Ediouro), 256 (Companhia das Letras), 284 (edição portuguesa)

O dia seguinte, de Rhidian Brook

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Uma viagem de 12 horas, seguida por 8 de espera num aeroporto nada convidativo, e de mais 2 e meia até chegar em casa – eis o pesadelo de qualquer mortal. A menos que se tenha uma excelente companhia. A minha ontem foi o romance O dia seguinte, do escritor galês Rhidian Brook.

Vinha adiando a leitura deste livro porque não sou nem nunca fui uma grande apreciadora de romances históricos, sobretudo quando passados durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, fui agradavelmente surpreendida pelo fato de que O dia seguinte não é mais um livro sobre este tema já batido, mas sim sobre o pós-guerra, ou a tentativa de restabelecimento da Alemanha um ano após a derrocada de Hitler. Para escreve-lo, Brook inspirou-se no próprio avô, que, chamado para ocupar um cargo militar em Hamburgo em 1946, recusou-se a expulsar da mansão a si atribuída a família que lá vivia, optando por coabitar com os antigos inimigos.

Eis a ‘aberração’ – do ponto de vista britânico na época – cometida por Lewis, um dos protagonistas da trama, responsável por trazer a democracia e garantir o processo desnazificação no norte da Alemanha. Recém-chegado a uma Hamburgo em ruínas, o antigo herói de guerra tem a difícil função de reconstruir o país que ajudou a aniquilar, mas comporta-se de maneira oposta a seus conterrâneos: Lewis demonstra compaixão pelos sobreviventes alemães. Atitude, aliás, oposta à de sua esposa Rachael, cega de ódio pelo povo que matou seu filho mais velho, e incomodada pela suntuosidade da vila à beira do Elba que a família passa a habitar. A convivência forçada com os antigos proprietários da mansão, um atraente arquiteto alemão e sua revoltada filha adolescente, serve no entanto para apaziguar a fria senhora e devolver todos à vida.

A trama, que se desenrola de forma novelesca, apresenta a história sob o ponto de vista de várias personagens, entre principais e secundárias, oferecendo-nos um panorama do que terá sido viver em meio aos escombros de uma Alemanha vencida. Entre órfãos da guerra (Trümmerkinder) e nazistas camuflados, todos exaustos e famintos, a aversão aos novos colonizadores faz gerar a rebelião e a nostalgia pelo retorno do Führer, sobretudo à medida em que forasteiros ideologicamente programados desprezam os vencidos e os tratam como ratos.

É certo de que Rhidian Brook não escreveu nenhum futuro clássico da literatura ocidental. Muito pelo contrário: o livro é cheio de reviravoltas rocambolescas, personagens pouco profundas, e situações tão previsíveis que quase se tornam inesperadas. É um livro, enfim, descartável, desses feitos para um leitor mediano. No entanto, trata-se ainda assim de um romance bem escrito, cuja trama é viciante, e que nos permite repensar a História. Para mim, conhecedora (e crítica) que sou da cultura alemã, sobreveio a admiração, ao lembrar-me de que o país que é hoje um dos carros-fortes da economia global, e um dos maiores defensores da União Europeia, foi há tão pouco tempo o inimigo público número um, que estrangeiros de todo o mundo aprendiam na escola a temer e a desprezar. Admiração por este país que, citando, “não [estava] acostumado a debater”, mas que não apenas “encontrou sua voz”, como tornou-se um dos maiores oradores de uma Europa pacífica e sem fronteiras.

Tudo isso são divagações minhas, e não chega a ser abordado no livro de Brook. No entanto, costumo dizer que um livro que faz viajar para além dos seus limites, que faz pensar e revisitar paradigmas, que abre pontes para analogias, deve ser sempre vivamente recomendado.

Nada como um bom best-seller para fazer uma viagem longa e aborrecida tornar-se numa experiência memorável!

 

Título original: The Aftermath

País: País de Gales

Idioma original: inglês

Ano de publicação: 2013

Título brasileiro: O dia seguinte

Edição brasileira: Intrínseca (ISBN: 978-858-0575-92-7)

Título português: O despertar do mundo

Edição portuguesa: Asa (ISBN: 978-989-2325-37-8)

Número de páginas: 272 (edição brasileira), 328 (edição portuguesa)

Exercícios da perda, de Agata Tuszyńska

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A representação literária da morte, sobretudo quando baseada numa experiência autobiográfica, consiste num eterno motivo de controvérsia. Normalmente, esse tipo de narrativa resulta da necessidade do autor de ordenar a experiência da perda, e, como parte do processo de luto, não pode ser submetida aos mesmos paradigmas críticos que textos “verdadeiramente” literários. Um dos textos mais icônicos sobre o assunto é certamente Uma morte serena, da inigualável Simone de Beauvoir, dedicado aos últimos meses de vida de sua mãe. No ano retrasado, resenhamos outro texto que se encaixa nesta categoria: o premiado A onda, de Sonali Deraniyagala, que trata da morte de toda a sua família no Tsunami de 2004. Indo um pouco além, podemos inserir aqui também toda a chamada “literatura da Shoah”, ou literatura de testemunho dos grandes crimes contra a humanidade, seja o Holocausto judeu retratado por Kertész, seja o massacre dos Tutsis no Ruanda descrito por Mukasonga, ou até mesmo a miséria dos favelados nos diários de Carolina Maria de Jesus.

Em Exercícios da perda, a já consagrada escritora judaico-polonesa Agata Tuszyńska dedica-se aos últimos dezoito meses de vida de seu marido, o também escritor Henryk Dasko. Para isso, a autora escolhe partir exatamente do momento do diagnóstico de tumor cerebral, deixando de lado os quinze anos de vida em comum que antecederam a doença. Desta forma, é como se Tuszyńska afirmasse que a realidade esmagadora da perda iminente ofusca toda uma história de vida pré-doença, ou como se quisesse proteger a sua intimidade dos holofotes da escrita. Assim, o livro contém muito pouco de um amor romântico, quase não deixando entrever os motivos pelos quais essas duas pessoas de passada meia-idade, vindas de relacionamentos anteriores, apaixonaram-se uma pela outra. Sabemos que Henryk era um homem mais velho, que assumia para ela a função de pai e mentor, e que os papeis vão sendo trocados pouco a pouco a medida em que a morte se aproxima. Um relacionamento, enfim, muito pouco idealizado. Mas como não estamos aqui para julgar o relacionamento da autora, passemos à crítica do texto.

Exercícios da perda é um livro interessante, embora se encontre num limbo editorial, e certamente não teria sido publicado não fosse o fato de a sua autora ser famosa. Trata-se de um desses livros escritos para fazer bem ao autor, e não ao leitor, e que oscila entre a narrativa pessoal e o ensaio filosófico. Como não poderia deixar de ser, Tuszyńska, cuja carreira literária está quase totalmente dedicada à herança do holocausto no judeu contemporâneo, traça um paralelo eloquente e refinado entre sua perda pessoal e a de seus antepassados, vítimas da Kristallnacht e das câmaras de Auschwitz. Tudo isso é certamente muito interessante, mas acaba se tornando demasiado teórico, ofuscando parte da identificação do leitor com aquele outro tipo de amor que descende da perda, feito da resiliência e da negação de si mesmo. Falta às vezes o piegas, a declaração de amor, o que deveria ser um aspecto positivo, mas não nesse caso: afinal, esses elementos são substituídos por um eruditismo excessivo, às vezes pedante. Um desabafo que não chega a o ser devido ao excesso de autoafirmação intelectual.

Agata Tuszyńska é inegavelmente uma escritora de primeira, mas eu não recomendaria a nenhum leitor começar por este livro. Para descobri-la, mais vale dedicar-se a sua obra-prima, História familiar do medo, que refaz os passos de sua família durante a Segunda Guerra. E a quem esteja à procura de um “relato do câncer”, recomenda-se muito mais o singelo blog “Até à lua” da atriz portuguesa Marlene Barreto Frazão, dedicado ao marido morto em dezembro passado. Este sim emociona pela beleza despretensiosa, revelando, na sua cotidiana simplicidade, um verdadeiro valor de pérola literária.

 

Título original: Ćwiczenia z utraty

País: Polônia

Idioma original: polonês

Ano de publicação: 2007

Edição em português: não há

Título francês: Exercices de la perte

Edição francesa: Grasset (ISBN 978-224-6739-31-9)

Número de páginas: 320 (edição francesa)

Transit, de Abdourahman Waberi

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Há alguns dias, estive revendo o vídeo da maravilhosa escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie – cujo último livro, Americanah, foi aliás responsável tanto por este blog como pelo meu interesse em “ler o mundo” –, no qual ela fala sobre o perigo da história única. No vídeo, a autora fala sobre as armadilhas as quais nos submetemos quando somos constantemente expostos a uma imagem única e estereotipada de um outro país, povo ou cultura.

O romance Transit, do já relativamente conhecido escritor djibutiano Abdourahman A. Waberi, preocupa-se justamente em romper com o estereótipo da história única, oferecendo um panorama do seu país de nascença nos dias de hoje. Para isso, o autor recorre a uma narrativa pretensiosa e multifacetada, composta por diversos monólogos centrados em personagens distintas, os quais têm o objetivo de oferecer um retrato o mais completo possível da situação sócio-política do Djibuti nos dias de hoje.

O livro tem como ponto de partida das vozes de Bashir, um ex-soldado ferido, e Harbi, um intelectual de meia-idade resgatado há pouco da prisão por motivos políticos. Ambos encontram-se na fila do serviço de imigração do Aeroporto de Paris e, enquanto esperam, voltam-se em pensamento às pessoas que deixaram para trás: para Harbi, o filho e a esposa francesa; para Bashir, um antigo companheiro soldado. Serão essas personagens, ou seja, aqueles que ficaram, que darão voz às 150 páginas que compõem o livro.

Por meio da alternância entre vozes narrativas tão distintas, Waberi apresenta-nos um retrato digno de uma sociedade complexa e pouco conhecida. Eis, por sinal, um dos motivos pelos quais o seu livro deve, por si só, ser digno de louvor. Um segundo aspecto digno de destaque é a sua tentativa de reproduzir, por meio dos monólogos, a maneira de falar de suas personagens, oscilando entre a norma culta hipercorreta e as falhas de linguagem típicas de uma pessoa sem estudos.

Infelizmente, no entanto, os elogios à proposta literária de Waberi terminam, justamente, no plano das intenções. Afinal, a diferença entre a ideia e a sua execução é a tal ponto gritante, que o leitor dificilmente conseguirá se identificar com a história contada. Não que as personagens sejam mal construídas – aliás, se o são mal ficamos a perceber. O que incomoda, na verdade, é o excesso de devaneio, a divagação no melhor gênero fluxo de consciência à la Mrs. Dalloway, em detrimento não apenas da história mas também de um fio condutor. Como resultado, o leitor, desprovido do seu fio de Ariadne, terá grandes dificuldades em sair do labirinto, e completará a leitura mais por sentimento de dever que pelo prazer da leitura.

Apesar dos pesares, é preciso reafirmar que a proposta de Waberi é digna de admiração, justamente por diferir da “história única” contada por muitos dos livros sobre a África publicados hoje em dia – boa parte deles, inclusive, escritos por autores africanos. Nem que fosse só por isso, o que aliás já é muito, devemos tirar o chapéu para este romance inovador.

Para quem estiver interessado (espero que todos estejam), eis o vídeo da Chimamanda:

 

Título original: Transit

País: Djibuti

Idioma original: francês

Ano de publicação: 2003

Edição em português: não encontrada

Edição inglesa: Indiana University Press (ISBN 978-025-3006-89-9)

Edição francesa: Gallimard (ISBN 978-207-0768-74-5)

Número de páginas: 160 (edição inglesa), 176 (edição francesa)

Dossier K., de Imre Kertész

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Em 2002, o escritor Imre Kertész foi galardoado com o primeiro (e até o momento único) prêmio Nobel da Literatura concedido a um autor de origem húngara. Pouco tempo depois, diversas biografias, estudos e monografias sobre sua vida e obra proliferaram como cogumelos nas casas de edição de toda a Hungria. Kertész, no entanto, jamais poderia ser considerado o autor húngaro por excelência: primeiramente por ser judeu, e em seguida por jamais ter participado ativamente do cenário literário e cultural do seu país, sendo mesmo, em certa medida, considerado persona non grata nos altos círculos de Budapeste. Em resposta a tanto dito e ao não dito, resolveu publicar, juntamente com o seu tradutor em inglês Tim Wilkinson, uma espécie de memoir, o qual tem a forma de uma entrevista de pouco mais de duzentas páginas. Eis em que consiste o livro Dossier K.

Não é possível escrever sobre a obra de Kertész sem pensar em sua conturbada biografia. De fato, uma grande parte de seus escritos são baseados em experiências pessoais, ou foram pelo menos inspirados por cenas verídicas de um passado pouco comum. Aos catorze anos, Kertész tornou-se mais uma vítima do Nazismo, tendo sido prisioneiro em Auschwitz e Buchenwald, de onde só conseguiu se libertar com a derrota dos alemães. Mais tarde, com o final da Segunda Guerra Mundial, o menino tornou à casa transformado, movido por um indelével sentimento de alheamento em relação ao mundo ao seu redor, obrigado, no entanto, a retomar a rotina do ponto onde fora interrompido. Concluiu a escola, descobriu os grandes clássicos da literatura, e iniciou uma carreira literária quase sem pensar, na qual são revividos não apenas os traumas dos campos de concentração, mas também toda a confusão mental do pós-guerra, bem como a catástrofe sociopolítica que representou a ascensão do comunismo na Hungria.

Dossier K consiste numa entrevista apaixonante, de grande interesse não apenas para aqueles que já conhecem a inigualável obra de Kertész, mas também para aqueles que nunca leram um livro seu. Para os primeiros, consistirá num convite para uma descoberta literária da qual jamais se arrependerão; para os últimos, será um enorme presente, como o making-off de um filme o é para os seus fãs mais aficionados. Em todo caso, trata-se sem sombra de dúvida de um documento preciosíssimo, o qual nos permite ter acesso à mente de um escritor de primeira categoria, e desvendar os mistérios do seu processo criativo, das conexões entre literatura e realidade, bem como da sua maneira singular de analisar o mundo ao seu redor.

Difícil será, no meu caso, ler outros 120 livros antes de poder me permitir retornar a este tão pouco conhecido pilar da literatura do século XX.

Título original: K. dosszié

País: Hungria

Idioma original: húngaro

Ano de publicação: 2006

Edição em português: não encontrada

Edição em inglês: Melville (978-161-2192-02-4)

Número de páginas: 224 (edição em inglês)

O tempo entre costuras, de María Dueñas

Dueñas, Costuras

Depois de pouco mais de um mês de ausência, o blog oquevcestalendo volta à ativa com a resenha de um livro de peso – pelo menos no que compete ao tamanho do calhamaço: trata-se de O tempo entre costuras, o primeiro e aclamado romance da escritora espanhola María Dueñas, que mescla história e ficção numa narrativa rápida e levemente viciante.

O livro narra a trajetória de uma costureirinha madrilena, filha de mãe solteira, tornada, graças a uma série de coincidências, em espiã pró-inglesa em plena Segunda Guerra Mundial. Sira Quiroga, uma autêntica filha da classe operária, está às vésperas de se casar quando conhece Ramiro, um charmoso vendedor de máquinas de escrever. Por ele, a rapariga abandona o noivo, a mãe, a religião, e os planos pequeno-burgueses, tornando-se a amante de um homem cobiçado, frequentador de círculos aos quais jamais adaptar-se-ia. Quando, às vésperas da Guerra Civil Espanhola, seu pai biológico surge do nada e lhe oferece uma parte da herança familiar, Sira não hesita em entregar a pequena fortuna nas mãos do amante. Como seria de se esperar, o amor não duraria para sempre, e Sira logo será descartada em pleno protetorado marroquino: grávida, sem um centavo, com uma dívida pendente, e um processo judicial à sua espera numa Espanha arrasada pela guerra. Para sobreviver, a menina fútil de outrora terá que se reinventar, e se tornará a talentosa costureira Sirah, uma espécie de Coco Chanel de pouca cultura; e, mais tarde, a misteriosa Arish, suposta mulher do mundo, trabalhando para os ingleses “porque calhou”, mesmo sem entender de fato os mecanismos da guerra.

O romance, que já se encontrava na minha lista há quase um ano, foi-me calorosamente recomendado durante uma viagem a Sevilha, mas precisava de tempo para ser lido, e por isso foi sendo deixado para depois. O que, aliás, acabou por ser uma escolha acertada, já que faz mesmo o gênero de leitura para as férias de verão: leve e ligeiramente naïve, mas ao mesmo tempo bem escrito e interessante, abordando um tema complexo de forma quase simplista (os críticos mais machistas diriam mesmo que se trata de “literatura para mulherzinha”). O que, no entanto, não desmerece de todo o trabalho da autora. Afinal, os méritos da então iniciante Dueñas são irrefutáveis: o livro obteve sucesso sem igual no mercado literário, sendo traduzido quase instantaneamente para 25 idiomas, e ganhando mesmo, um ano após o seu lançamento, uma versão televisiva. Ou seja, o sonho de qualquer escritor de primeira viagem.

Embora não chegue a um livro bom, trata-se ainda assim um bom livro. Seu grande sucesso se deve à escolha do tema, sempre atual, que faz o leitor viajar de Madrid a Tanger, de Tetuan e Lisboa, mas também à forma leve escolhida para dar forma ao material histórico, à linguagem simples, e à opção narrativa acertada pela primeira pessoa. Embora o leitor mais exigente não deixe de franzir o cenho diante dos lugares-comuns, do maniqueísmo sem profundidade na fórmula ingleses = mocinhos e alemães = vilões, da facilidade com que as peças se encaixam, e do inevitável happy end, O tempo entre costuras será certamente um bom companheiro para longas viagens de ônibus, noites insones de verão, e tardes à beira da praia.

Título original: El tempo entre costuras

País: Espanha

Idioma original: espanhol

Ano de publicação: 2009

Título em português: O tempo entre costuras

Edição brasileira: Planeta do Brasil (ISBN: 978-857-6655-43-5)

Edição portuguesa: Porto Editora (ISBN: 978-972-0045-58-4)

Número de páginas: 480 (edição brasileira), 624 (edição portuguesa)

A cidade do sol, de Khaled Hosseini

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Estados Unidos, logo após os atentados de 11 de setembro de 2001: toda a população árabe, e particularmente a afegã, sofreu enormes represálias simplesmente pelo fato de existir e viver nessa terra estrangeira. Mulheres vestindo o véu eram agredidas nas ruas, meninos em idade escolar ostracizados como se portassem em suas pequenas mochilas uma bomba pronta a dizimar cidades inteiras. Todos eles pareciam portar o estigma do mal, herdeiros de Osama Bin Laden e dos talibãs. Nesse contexto particularmente difícil, Khaled Hosseini, um escritor afegão radicado nos Estados Unidos, conseguiu realizar aquilo que parecia ser um milagre: transformar um romance belo e simples, ambientado nas ruas de Kabul, num best seller que abriria a mente – e o coração – de milhões de leitores à história recente e à cultura desse país marcado pelo sofrimento. Trata-se de “Os caçadores de pipas”, transformado pouco mais tarde num filme de igual sucesso.

Alguns best sellers e muitos milhões de dólares mais tarde, o porta-voz oficial do Afeganistão no chamado “primeiro mundo” lança um novo romance, aclamado pela crítica e festejado pelos leitores. “A cidade do sol” narra a história de vida de duas mulheres deveras diferentes, Mariam e Laila, cujo destino se entrecruza em consequência da guerra. Mariam, uma bastarda, foi criada num casebre isolado no alto de um monte, e mal teve contato com o mundo até ser coagida a casar-se com um homem trinta anos mais velho em seguida ao suicídio da mãe. Laila, vinte anos mais nova, cresceu perambulando pelas ruas de Kabul ao lado de um amigo perneta, gozando todas as liberdades de ser filha de um ex-professor universitário, em plena época da dominação soviética. Até que o destino fizesse de Laila uma órfã obrigada a tornar-se a segunda esposa do marido de Mariam, as duas certamente pouco teriam a dizer uma à outra; as circunstancias fazem, contudo, nascer da miséria e da tragédia uma amizade com laços inquebrantáveis.

Mulheres belas, oprimidas, e cheias de sonhos, vivendo numa sociedade falocêntrica em tempos de guerra, obrigadas a transformarem-se em verdadeiras mártires em nome dos filhos – sejam eles naturais ou eletivos: eis, colocada em poucas linhas, a fórmula de um romance de sucesso. Tudo isso, é claro, associado às inegáveis capacidades de Hosseini como contador de histórias, de tal forma proeminentes que o leitor dificilmente botará o livro de lado antes de chegar à última página. Mas, então, onde está o problema?

O que falta, na minha opinião, aos romances de Khaled Hosseini, é algo que o grande público estadunidense dificilmente aceitaria: profundidade histórica. Ao falar da guerra e do cenário que tanto fascina e assusta os leitores – a ascensão dos talibãs -, Hosseini deixa claro quem são mocinhos e bandidos, e evita tocar em questões essenciais que nos permitiriam entender o intricado contexto no qual os terroristas do 11/09 se inserem. Como, por exemplo, a própria (e não pouca) participação dos Estados Unidos nesse imbróglio. O resultado é uma literatura naif, repleta de belas e tristes histórias de amor e amizade, situadas num cenário exótico e distantes, mas que perde uma oportunidade essencial de fazer aquilo que a verdadeira boa literatura geralmente costuma fazer: um convite à reflexão.

Como literatura de entretenimento, “A cidade do sol” é certamente uma escolha acertada, que não deixará de extrair bons baldes de lágrimas do mais cético dos leitores. Mas é só. Embora – e eis o que é imperdoável – pudesse ter sido muito mais.

Título original: A Thousand Splendid Suns 

País: Afeganistão

Idioma original: inglês

Ano de publicação: 2007

Titulo brasileiro: A cidade do sol

Edição brasileira: Nova Fronteira (ISBN: 978-852-0935-52-1)

Título português: Mil sóis resplandecentes

Edição portuguesa: Presença (ISBN: 978-972-2339-08-7)

Número de páginas: 368 (edição brasileira), 324 (edição portuguesa)

The Garden of Evening Mists, de Tan Twan Eng

Tan_Garden

Antes de ingressar numa longa viagem, é sempre bom saber um pouco daquilo que nos espera. Algumas pessoas dedicam-se à leitura de guias turísticos, escritos em sua maioria por e para estrangeiros. Eu não: aboli há alguns anos o Lonely Planet. Substitui-o pela literatura. Por isso, em meio a uma semana particularmente cheia de preparativos, encontrei n’O jardim das brumas noturnas a mais perfeita introdução à Malásia.

No final da adolescência, Yun Ling, a protagonista-narradora, é mandada com a irmã Yun Hong a um campo de trabalhos foçados japonês. Yun Hong, que era apaixonada por jardins japoneses, não resiste, e ela, a única sobrevivente de todo o campo, promete mandar construir um jardim em sua memória. Anos mais tarde, encontramos Yun Ling como uma juíza implacável, encarregada de mandar à forca os condenados pelos crimes cometidos durante a guerra. Depois de uma altercação com seus superiores, ela abandona Kuala Lumpur rumo às montanhas malaias, onde vive Aritomo, um homem que fora outrora o jardineiro oficial do imperador do Japão. Em vez de conseguir convence-lo a criar um jardim para Yun Hong, a antiga vítima dos japoneses acaba por se tornar aprendiz desse jardineiro misterioso, que lhe ensina muito mais que a arte da jardinocultura, apontando-lhe talvez um caminho para a libertação.

O livro trata de um tema delicado com uma sensibilidade da qual só mesmo os orientais seriam capazes. A começar pelo fato de que é narrado em três planos temporais distintos. O primeiro, o presente, funciona como uma espécie de moldura, e nos revela uma Yun Ling fragilizada pela doença, que tenta registrar suas lembranças para que elas não se percam com a sua memória. O segundo, durante a guerrilha comunista dos anos 1950, consiste no plano principal, e nos mostra uma protagonista forte e rancorosa, tentando vencer seus demônios a fim de construir o jardim. Contrariando as expectativas ocidentais, o terceiro, que embarca a Segunda Guerra, é evocado apenas no fim, como uma espécie de “pretérito mais que perfeito” – passado dentro do passado. Com isso, o livro não foca, como seria de se esperar, no sofrimento Yun Ling no campo de concentração japonês, mas sim no seu longo e interminável processo de cura.

Embora os complexos episódios históricos que definiram a identidade malaia estejam sempre em pano de fundo, não se pode classificar este romance como estritamente histórico. Pelo contrário, pode-se dizer que se trata de um estudo sobre a existência humana, que aborda temas como a importância da memória e do esquecimento, bem como o conceito de culpa (seja ela individual ou coletiva). Com uma escrita ricamente formulada e repleta de simbolismos, o livro de Tan Twan Eng introduz o leitor a um universo que lhe é seguramente desconhecido ao abordar temas históricos como o colonialismo no sudeste asiático, os campos de trabalhos japoneses, bem como, por meio de suas personagens secundárias, a formação da identidade sul-africana. Seu grande mérito consiste em tecer uma intrincada rede entre opostos, como o amor e a guerra, a arte e a destruição, a liberdade e a guerrilha, o jardim e a tortura, de modo a dar vida às paisagens bucólicas do interior malaio.

Ver o mundo sem os livros é como olhar a fotografia de alguém que não conhecemos. Visitar um lugar sobre o qual já lemos faz com que tenhamos a impressão de estarmos a visitar velhos amigos. Afinal, viagens à parte, a literatura continua a ser a melhor maneira de descobrir o mundo.

Título original: The Garden of Evening Mists

País: Malásia

Idioma original: inglês

Ano de publicação: 2012

Edição brasileira/portuguesa: não há

Edição inglesa: Myrmidon Books (ISBN: 978-190-5802-49-4)

Número de páginas: 448 (edição inglesa)