A virgem fria e outros contos, de Jørn Riel

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É tão difícil para um leitor experiente surpreender-se com um livro como o é para um viajante experiente surpreender-se com um novo lugar. Em ambos os casos, é preciso ir cada vez mais longe para se chegar ao inesperado. E que lugar é, afinal, mais longe que a Groenlândia?

Depois de muito procurar, parecia-me que encontrar um livro groenlandês seria uma tarefa beirando o impossível: se quase nada do pouco que é escrito na ilha gigante ao norte do mundo encontra-se traduzido do groenlandês para o dinamarquês, que dirá para outras línguas mais acessíveis? Ao fim e ao cabo, pareceu-me que um autor nascido na Dinamarca, mas que passou boa parte de sua vida (16 anos) numa base científica no norte do país habilitava-se bem ao quesito. Afinal de contas, embora haja vida no topo do mundo, trata-se normalmente de gente de passagem: das cerca de 50 mil pessoas que vivem na Groenlândia (0,03 por m2!), poucas, bem poucas nasceram efetivamente na ilha.

A virgem fria e outros contos consiste numa peculiar compilação de uma dezena de histórias, todas elas em torno das mesmas personagens: um grupo de caçadores e aventureiros habitando o inóspito norte da Groenlândia. Embora obviamente não existam habitantes nativos nesses confins, eles são aquilo que mais facilmente poderíamos chamar de “homens do ártico”, uma vez que sua origem e seu passado parecem não ter a menor importância neste espaço no qual tempo e espaço encontram-se em suspensão. Trata-se de histórias divertidas, inteligentes, mas sobretudo humanas, centradas muito menos em atos extraordinários ou feitos memoráveis, e mais na banalidade de um cotidiano totalmente fora do nosso normal.

Nesse universo de gelo, a solidão e o isolamento extremo fazem com que as regras do mundo “civilizado” deem lugar a uma série de códigos próprios, adaptados para melhor servir ao ambiente inóspito em que vivem. Mais surpreendente chega a ser o fato de que, em vez de constituírem comunidades, estes homens prefiram o isolamento, chegando a habitar sozinhos por meses a fio em um fiorde perdido no meio do nada, acompanhados dos ursos polares, raposas e focas que caçam para sobreviver. Quando se cansam de sua solidão – ou por exemplo quando sofrem pela perda de um galo de estimação –, empreendem viagens de semanas até chegar ao próximo vilarejo de um único habitante, onde entretêm-se a esvaziar a alma e a embebedar-se até cansarem de companhia e preferirem o silêncio do monólogo interior. Quando falece um companheiro, podem amarrar o cadáver sentado a um trenó e sair passeando com ele numa espécie de cortejo funerário festivo por semanas a fio. Quando se apaixonam, é por mulheres inventadas pela imaginação de um eventual companheiro, com quem conviverão num mundo inventado beirando a loucura. E quando decidem adotar os parâmetros da civilização, construindo por exemplo uma latrina, quase terminam arruinados, de tão habituados a viverem fora dela.

Ao longo de 150 páginas, Jørn Riel dá-nos a conhecer um universo tão inimaginável que poderia se tratar de ficção científica, mas ao mesmo tempo tão humano que nos remete ao mais íntimo que há em nós. Um universo que merece ser descoberto – nem que seja por meio da leitura –, e que de tão apaixonante até se tornou história em quadrinhos:

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PS: Antes mesmo de terminar a leitura, eu já tinha ido espiar os preços de voos para a Groenlândia! Alguém se habilita a me acompanhar?

 

Título original: Den kolde jomfru og andre skrøner

País: Groenlândia

Idioma original: dinamarquês

Ano de publicação: 1973

Edição em português: não encontrada

Título francês: La virge froide et autres racontars

Edição francesa: Domaine Étranger (ISBN 978-226-4022-94-3)

Número de páginas: 157 (edição francesa)

Contos de N’nori, de Carlos-Edmilson Marques Vieira

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Em plena semana em que as redes sociais encheram-se de comentários polêmicos acerca da proposta do Governo brasileiro de excluir os grandes clássicos da literatura portuguesa do curriculum escolar obrigatório, decidi celebrar a lusofonia. Para isso, elegi um livro obscuro e singelo, tal como o seu país de origem: Contos de N’nori, do guineense Carlos-Edmilson Marques Vieira.

Para começar, é preciso admitir que escrever sobre Contos de N’nori não é uma tarefa fácil. Afinal, seu autor não é aquilo que tradicionalmente chamamos de ‘escritor’, mas sim um amador apaixonado por literatura que, em grande parte, autofinancia a edição de seus livros. Fora das grandes editoras, fora das grandes livrarias, longe da consagração das mídias, mas no entanto muito empenhado em fazer passar a sua mensagem.

Lançado em 2000 numa tiragem única de apenas 500 exemplares pela pequena associação Uneas (União Nacional de Escritores e Artistas São-tomenses), Contos de N’nori consiste num pequeno apanhado de uma centena de páginas contemplando oito histórias. Tanto no que diz respeito à temática quanto à qualidade literária, trata-se de contos bastante heterogêneos, que têm como foco a vida e a realidade de uma Guiné-Bissau herdeira do pós-colonialismo. Alguns deles, como “O homem da flauta”, a história de um mendigo anônimo e cordial rejeitado pela sociedade, serão capazes, em sua simplicidade, de comover o mais crítico dos leitores. Outros, como a micronarrativa erótica “Conto vivido”, mais se assemelham a um exercício literário de língua portuguesa de um aluno do Ensino Médio. Na grande maioria deles, no entanto, notamos uma forte verve política, bem como o desejo de tematizar os deslizes históricos e as consequências nefastas da colonização recente.

Não podemos tapar o sol com a peneira: o livro carece de edição e revisão ortográfica, contendo diversos erros de português, alguns deles tão simples como a grafia de uma mesma palavra, numa mesma página, de duas ou três maneiras diferentes. Aliás, por que tantos erros? Talvez porque o português nem seja, de fato, a língua materna do autor, mas sim o crioulo, e porque ele, ao decidir escrever, tenha sido confrontado com o grande dilema dos autores africanos – expressar-se numa língua materna de restritíssimo público leitor ou na língua do dominado, dirigindo seus escritos àquele que condena? No entanto, um livro como o de Carlos-Edmilson não pode nem deve ser julgado pelos mesmos critérios e parâmetros que a chamada “alta literatura”.

Em vez de nos demorarmos na espinhosa questão do que é literatura, talvez seja mais judicioso atentarmos à importância de livros como este, que fazem pensar em gente tão talentosa e fora do cânone como a nossa Carolina Maria de Jesus. Afinal, independente de seus desvios da estética convencional, os Contos dão voz a uma famigerada minoria cultural, a qual permaneceria calada não fosse o empenho do autor em se fazer ouvir. Mais triste ainda é pensarmos que Carlos-Edimilson nem sequer é tão “minoria” assim: trata-se na verdade de um diplomata, graduado duas vezes em Paris, cujo primeiro livro – uma coletânea de contos – foi publicada na França. Todas essas informações biográficas encontram-se orgulhosamente estampadas na contracapa do livro, como se com elas seu autor pretendesse autoproclamar o seu direito de pertencer ao seleto grupo dos Autores com ‘a’ maiúsculo. Imaginem, neste caso, quantas verdadeiras Carolinas não haveríamos de encontrar nos confins da Guiné-Bissau se simplesmente saíssemos procurando?

Embora se trate de um livrinho do qual a maioria de nós sequer ouviria falar não fosse a minha pesquisa incessante por autores obscuros, Contos de N’nori é, graças à internet, até bastante fácil de se encontrar, e pode ser descarregado gratuitamente no site do Instituto Camões. E é de se aproveitar! Afinal, independente do que decidir o Ministério da Educação, a nossa pátria sempre continuará sendo a nossa língua enquanto a ela formos fieis.

 

Título original: Contos de N’nori

País: Guiné-Bissau

Idioma original: português

Ano de publicação: 2000

Edição portuguesa: Uneas (EAN 220-001-7206-41-1)

Número de páginas: 94

All that is gone, de Pramoedya Ananta Toer

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Às vezes me pego pensando naquela antiga coleção de livros de capa vermelha publicada pela Editora Abril. Seu título aparentemente inocente, “Os imortais da literatura universal”, transmite ao leitor a sensação de que, ao adquirir os conhecimentos nela contidos, terá dominado uma noção de tudo aquilo que merece ser lido no mundo. Mas alguém já parou para pensar em quantos daqueles livros são europeus? E quantos vêm de nações “subdesenvolvidas”, eternamente fadadas a estarem fora do cânone? Asiáticos, africanos, latino-americanos, e mesmo brasileiros, fazem raramente parte do que os países de primeiro mundo nos impõe como “clássicos”, e que nós, no auge do nosso complexo de inferioridade, aceitamos sem pestanejar.

O que muitos leitores ainda não perceberam é que o mundo não é composto apenas dos 50 países que compõem o Hemisfério Norte, mas sim de cerca de 200. E que muitos desses países possuem escritores tão excepcionais que acabam se tornando uma espécie de “clássicos por condescendência” naquelas mesmas metrópoles culturais que nos obrigam a consumir apenas os seus próprios produtos. Eles sabem o que é bom, mas o que é bom não chega até nós. Um claro exemplo é o escritor indonésio Pramoedya Ananta Toer.

Nascido numa pequena cidade da ilha de Java, Toer é considerado um dos mais expressivos autores asiáticos do século XX. Sua obra, pela qual é frequentemente considerado o “ Camus indonésio”, compõe-se de uma vasta série de contos, ensaios e romances, centrados sobretudo na temática das transformações ocorridas na cultura e sociedade javanesa no século XX. Lançado em 2004, All that is gone (em português: Tudo isso já não existe) consiste numa coletânea de oito contos, seis deles publicados juntos nos anos 1950, nunca antes traduzidos para uma língua ocidental. Seu caráter autobiográfico, bem como a articulação temática e cronológica dos seis primeiros, dão-nos a impressão de estarmos a ler um romance composto de episódios.

No introspectivo “Tudo isso já não existe”, o autor evoca sua tenra infância durante a colonização holandesa, lembrando-nos com seu incansável refrão que o mundo de suas lembranças já desapareceu. “Inem” e “Circuncisão” remetem, por sua vez, ao peso de tradições consideradas bárbaras na nossa sociedade, como o casamento e subsequente divórcio de uma menina de apenas oito anos, bem como a importância da circuncisão para o caráter de um jovem rapaz. “Nascido no crepúsculo”, “Vingança”, “Dia da independência” e “Aceitação” remetem, por sua vez, à conturbada história recente da Indonésia, dominada pelos holandeses, depois pelos japoneses, depois pelos comunistas, depois novamente pelos holandeses, tudo isso num intervalo de apenas poucas décadas. Partindo da micro-história, estes contos oferecem-nos um documento sensível sobre as consequências nefastas de uma história sangrenta a um povo fadado à resiliência. O livro termina com “As recompensas do casamento”, uma espécie de conto de fadas às avessas cravado de ironia, na qual o poder demiúrgico do escritor é colocado em destaque num estilo que remete a Shakespeare e Pirandello.

Apesar da distância geográfica e cultural, os contos de Toer estão carregados de verdades universais, e revelam-nos, com suas imagens fortes e marcantes, um mundo não tão distante. Além dos horrores da guerra e da decepção dos tempos de paz, seus textos nos revelam a capacidade humana de se adaptar para resistir à adversidade, e a importância de abdicar da própria vontade em nome de um bem maior. Afinal, nossa essência não se encerra em nossos sonhos, mas sim na nossa capacidade de nos despedirmos deles. Trata-se de uma mensagem dura, mas não menos verdadeira.

Lembrando Lima Barreto, que bom seria se falássemos javanês! Assim teríamos finalmente acesso a uma obra tão digna da famigerada coleção de capa vermelha. Pois Toer é, sem nenhuma dúvida, um verdadeiro imortal da literatura universal.

 

Título original: Cerita dari Blora

País: Indonésia

Idioma original: javanês

Ano de publicação: 1952

Edição em português: não há

Edição em inglês: Penguim (ISBN 978-014-3034-46-9)

Número de páginas: 255 (edição em inglês)

O bônus da quarta: Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato

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Para marcar a primeira quarta-feira do ano novo, e para assinalar as minhas boas intenções, vou tentar atualizar a nossa sessão especial. Embora não se trate forçosamente de um livro desconhecido, sempre é bom recordar aquele que se tornou um verdadeiro clássico da literatura brasileira do princípio do século XXI: Eles eram muito cavalos, do escritor mineiro Luiz Ruffato.

Publicado inicialmente em 2001, o livro é composto por uma série de micronarrativas, todas elas alinhadas de forma caleidoscópica, de modo a apresentar um retrato multifacetado da cidade de São Paulo. Além da unidade de espaço, o único elo entre elas reside no fato de que se passam praticamente em simultâneo, num único dia: 9 de maio de 2000. Desafiando os parâmetros da prosa tradicional, Ruffato usa e abusa das formas convencionais, como a narrativa linear em primeira e em terceira pessoa, a epístola, o diálogo e o monólogo interior, mas também explora o valor literário de uma série de textos inusitados. São eles o cardápio de um restaurante, a lista de livros que compõem uma biblioteca, folhinhas de orações, previsões de astrologia, anúncios de serviços sexuais, entre outros. O resultado é um patchwork de textos dissonantes tanto no que diz respeito à forma quanto ao conteúdo, mas que refletem a singular pluralidade de sua verdadeira protagonista: a maior cidade da América do Sul.

Durante a leitura, com a qual leitor nenhum poderá se aborrecer, é interessante refletir sobre os motivos que fazem com que alguns dos textos acabem por se tornar literatura. Afinal de contas, é o olhar poético do autor, e não o seu valor estético individual, bem como o fato de terem sido agrupados num mesmo compêndio, o que lhes dá força e vitalidade. Estão presentes ainda em Eles eram muitos cavalos alguns dos temas recorrentes da literatura brasileira na virada do novo milênio – tais como o stress do cotidiano, a onipresente violência urbana e a solidão dos indivíduos na cidade grande –, bem como alguns motivos eternos – como  a (des)esperança no futuro, a luta de classes, e assim por diante.

Uma vez que encontrar um gênero literário único para classificar um livro tão complexo seria uma tarefa impossível, preferimos ficar com a definição do autor, e o chamar “instalação literária”. Em todo caso, trata-se de um livro não apenas extremamente agradável, rápido e fácil de ler, mas também de um contributo essencial para o “renascimento” da literatura de expressão lusófona na aurora do século XXI. Simplesmente, um livro que obrigatório a todos aqueles que querem tentar entender o mundo em que vivemos.

 

Título original: Eles eram muitos cavalos

País: Brasil

Idioma original: português

Ano de publicação: 2001

Edição brasileira: Companhia das Letras (ISBN 978-850-1079-61-9)

Edição portuguesa: Quadrante (ISBN 978-972-8962-02-9)

Número de páginas: 160 (edição brasileira)

O bônus da quarta: Amálgama, de Rubem Fonseca

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Para compensar minha ausência de quatro semanas, bem como para provar que quatro semanas sem resenhas publicadas não necessariamente significaram quatro semanas sem livros lidos, decidi, a partir de hoje, presentear os leitores com uma resenha especial às quartas-feiras. A essa pequena série, que terá como foco textos contemporâneos da literatura brasileira, ouso dar o título de “o bônus da quarta”.

E quem melhor para abrir uma série especial senão um de nossos escritores mais lúcidos, queridos e prolíferos? É claro que se trata do grande mestre Rubem Fonseca, que, no auge dos seus noventa anos, ainda continua a escrever diariamente, tendo publicado, apenas desde a virada do milênio, cinco romances, seis volumes de contos e um de crônicas. Amálgama, seu penúltimo livro, consiste numa coletânea de contos, e oferece ao leitor uma pequena amostra de que sua pluma continua mais afiada do que nunca.

Ao longo das 34 histórias predominantemente curtas e de difícil catalogação que compõem o livro, Fonseca esmiúça o universo que o consagrou como um dos autores mais polêmicos da geração pós-64. Nelas, ganham voz as minorias étnicas e sociais, um submundo marcado pela criminalidade e pela ausência de escrúpulos, bem como todo tipo de pequenas vilanias que permeiam o cotidiano das grandes cidades na era pós-industrial. Seus heróis continuam cínicos, alguns deles doidos, embora cada vez mais desencantados com o mundo, e apresentam por vezes um refinamento cultural e uma consciência inusitados.

Sequestros-relâmpago, assassinos de animais de estimação, justiceiros urbanos, tráfico de bebês, infanticídios e parricídios coexistem no universo fonsequiano, o qual, se não tem a intenção de mimetizar o real, tenta pelo menos reproduzir a realidade construída pelos jornais sensacionalistas e programas de TV. Trata-se de contos ásperos e, em sua grande maioria, com desfechos impactantes, que estabelecem amiúde um diálogo direto com assuntos fortemente mediatizados. Por vezes, o flerte com o sensacionalismo torna-se particularmente marcante – como por exemplo em “O filho”, no qual uma criança nascida sem um braço é jogado pela mãe na lata de lixo. Em outras ocasiões, o esdrúxulo dá lugar ao inverossímil, como no conto “Devaneio”, em que um homem gasta todas a sua herança para realizar o antigo sonho de furar um peito de silicone com uma agulha. Como não poderia deixar de ser, o humor e a ironia fazem-se presentes, seja na fantasia fetichista com anões e corpos deformados, seja no olhar áspero e sem rodeios sobre as mazelas da sociedade. Em todo caso, ao lado da linguagem seca e da estetização consciente da violência, predomina um humor negro, profético, mas não de todo resignado, desses que preferem dançar à beira do abismo a chorar diante da tragédia.

Do ponto de vista formal, não estamos diante de textos que buscam explorar os limites da narrativa ou desbravar, por meio da experiência da violência, novos caminhos para a linguagem literária. Pelo contrário: os contos de Amálgama são predominantemente lineares, e se desenvolvem seja por meio de um relato confessional em primeira pessoa, seja pelo relato objetivo e jornalístico que marcaram a carreira do autor ao longo do século XX. Nesse sentido, é possível afirmar que o livro oferece um pouco mais do mesmo. Mas por que, afinal, mexer num time que já está ganhando desde 1963?

E que venha mais Fonseca!

Título original: Amálgama

País: Brasil

Idioma original: português

Ano de publicação: 2013

Edição brasileira: Nova Fronteira (ISBN: 978-852-0935-36-1)

Edição portuguesa: Sextante (ISBN: 978-989-6761-20-2)

Número de páginas: 160 (edição brasileira), 144 (edição portuguesa)