Solo d’un revenant, de Kossi Efoui

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A literatura togolesa é certamente uma das mais desconhecidas do mundo. Na verdade, pouco conhecemos acerca deste pequeno país tropical no norte da África, limitado por Gana, Burkina Fasso e pelo Benin. Kossi Efoui, romancista, dramaturgo e cronista de expressão francesa nascido no interior do país, é considerado um dos mais prolíficos escritores africanos da atualidade, sobretudo graças ao premiado romance Solo d’un revenant.

Talvez a mais forte impressão deixada por este livro peculiar seja o calor incessante que o perpassa de forma pungente. Situado em um país do interior africano, a narrativa descreve o retorno de um homem à terra natal dez anos após ter imigrado em consequência de uma brutal guerra civil. Ao chegar, instala-se num hotel enquanto se coloca à procura de uma pessoa que outrora conhecera. Mas a realidade à qual é confrontado é muito diferente daquela que tinha deixado uma década antes. Trata-se, afinal, de um país cujas recentes feridas abertas pela guerra foram mal cicatrizadas, dando lugar a uma sociedade na qual antigas vítimas e algozes são obrigadas a conviver lado a lado, e a reconstruir os escombros juntos como se nada tivesse acontecido.

Embora o local exato onde a trama decorre não seja nomeado, a descrição faz pensarmos na Ruanda de após os massacres que transformaram a metade do país em assassinos sanguinários, perseguindo e matando os próprios vizinhos, com um total de meio milhão de mortos em apenas três meses. Verdade é, no entanto, que a localização e o contexto exatos pouco importam ao escritor Kossi Efoui, já que o seu objetivo principal é explorar os elementos comuns da história recente dos países africanos, promovendo assim o chamado panafricanismo. No contexto da proposta narrativa que move Solo d’un revenant, este objetivo é alcançado sobretudo devido ao flerte entre a ficção e a realidade, permitindo com que as personagens adquiram uma verossimilhança ímpar, ao mesmo tempo em que se desenvolvem como uma espécie de alegoria das tragédias contemporâneas.

Tudo isso parece muito interessante, e de fato o é. No entanto, o que me incomoda neste romance, como também em uma grande parte nos romances africanos contemporâneos escritos em língua francesa, é o excesso extremo de experimentalismo com a linguagem, em detrimento do próprio enredo. Devido às mudanças abruptas de foco narrativo, torna-se  difícil acompanhar a história, o que diminui em parte o prazer da leitura.

Em todo caso, nem que seja pelo exotismo de termos diante dos olhos um romance da República Togolesa, fica aqui registrada a recomendação.

 

Título original: Solo d’un revenant

País: Togo

Idioma original: francês

Ano de publicação: 2008

Edição francesa: Seuil (ISBN: 978-202-0971-93-5)

Edição em português: não há

Número de páginas: 207

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