O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação, de Haruki Murakami

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Amigos grandes leitores, preparem-se para um deleite literário, emocional e auditivo: o mais recente romance do japonês Haruki Murakami, figura carimbada em todas as listas de best sellers que se prezem e diversas vezes cotado como o próximo laureado do Prêmio Nobel da Literatura.

O incolor Tsukuru Tazaki é um desses livros que penetram no pensamento do leitor, e que depois já não lhe saem da cabeça. A história é um paradoxo: simples, porém complexa. Tsukuru, o protagonista, tem 36 anos e sofre de uma espécie de barreira emocional. Quando conhece Sara, uma mulher mais velha por quem se apaixona, decide contar-lhe o grande trauma da sua juventude: há mais de vinte anos, foi expulso sem explicações do grupo de amigos que era a coisa mais importante da sua vida. Quando se conheceram, eram todos adolescentes, e tornaram-se inseparável, formando uma espécie de pentágono perfeito. Eram dois rapazes e duas meninas, cada um deles trazendo no nome o anagrama de uma cor. Exceto ele, Tsukuru, cujo nome significa “fazer”. Daí a ser chamado pelos outros de incolor. Daí também a se sentir inferiorizado, como se os outros fossem se dar conta a qualquer momento que ele não lhes servia para nada. Agora, duas décadas mais tarde, sob influência de Sara, Tsukuru decide procurar os antigos amigos a fim de finalmente tentar desvendar o mistério que lhe deu cabo da existência: por que é que eles resolveram, de uma hora para a outra, deixar de lhe falar?

Um resumo dificilmente poderia dar conta da imensidão de um romance como esse, repleto de peças mal-encaixadas e metáforas pairando no ar. Ao passar os olhos pelas últimas linhas, o leitor provavelmente perguntar-se-á se perdeu alguma coisa, se passou ao lado de alguma informação essencial, como a chave para juntar todos os elementos apresentados. O livro fala de projeções e expectativas frustradas, da imagem que fazemos de nós mesmos, daquela que os outros fazem de nós, bem como da que pensamos que eles fazem. Mais do que tudo, ele relembra-nos a importância de resolvermos as nossas pendências, tirando o passado a limpo como forma de nos prepararmos para finalmente seguir em frente. E, como na vida nem sempre temos resposta para tudo, Tsukuru também nos deixará muitas vezes sem resposta. Ou seja, trata-se de um livro que é a cara o Japão: embora saibamos que jamais seremos capazes de compreende-lo totalmente, isso não nos impede de nos apaixonarmos por ele.

Meu maior arrependimento em ter escolhido Murakami como o autor número 35 de um projeto que inclui a leitura de por volta de 200 livros/países é que, para eu finalmente poder ler o meu próximo Murakami, ainda terei que esperar ter lido outros 165. Que bom que a melhor espera é aquela que é por algo que realmente vale a pena!

Para ler ouvindo “Le mal du pays”, de Franz Liszt, na interpretação de Lazar Berman:

Título original: Shikisai o motanai Tazaki Tsukuru to, kare no junrei no toshi

País: Japão

Idioma original: japonês

Ano de publicação: 2013

Título brasileiro: O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação

Título português: As peregrinações do rapaz sem cor

Edição brasileira: Alfaguara (ISBN 978-857-9623-37-0)

Edição portuguesa: Casa das Letras (ISBN 978-972-4622-66-8)

Número de páginas: 328 (edição brasileira), 360 (edição portuguesa)

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