In the Shadow of the Banyan, de Vaddey Ratner

12ratner  /// "In the Shadow of the Banyan" by Vaddey Ratner ///

Quando a narrativa de memória e a placidez do budismo se encontram, o resultado é uma história poderosa e emocionante, capaz de oferecer ao leitor uma visão do sofrimento totalmente diferente daquilo ao qual estamos acostumados. Eis o que se pode esperar de In the Shadow of the Banyan, primeiro livro da escritora cambojana Vaddey Ratner.

A história é contada a partir da perspectiva da pequena Raami, uma menina de sete anos que sobrevive contra todas as chances durante o sangrento governo do Partido Comunista da Kampuchea no Camboja (1975-1979). Filha de um príncipe poeta e de uma bela plebeia, a menina que até então crescera no conforto do palácio, protegida dos males do mundo qual um pequeno Sidarta, tem sua realidade subitamente transformada pela chegada dos khmer vermelhos. Forçada a abandonar sua casa e evacuar a cidade em pleno dia de ano novo, sua família sofre o mesmo destino de todo cidadão cambojano, tragada pelo caos absoluto de um Regime sem sentido, e tentando manter-se unida enquanto vê todas as coisas que lhes são importantes serem-lhe, uma a uma, arrancadas. Se, por um lado, o fato de ser membro da antiga nobreza torna Raami um alvo potencial de soldados iletrados instruídos para matar sem a menor hesitação, uma perna deformada pela poliomielite acaba se tornando um estigma positivo, já que a vida de uma aleijada vale menos que uma bala.

À primeira vista, a trama de In the Shadow of the Banyan faz pensar em tantos outros romances recentes que têm como foco a memória de um conflito. Ademais, o fato de a história ser narrada a partir da perspectiva de uma menina pequena apenas confirma uma tendência, na qual se inserem outros livros que apresentamos este ano (como o argentino La casa de los conejos, de Laura Alcoba, o palestino As madrugadas de Jenin, de Susan Abulhawa, e o zimbabuano We Need New Names, de NoViolet Bulawayo). Para além de tudo, todos os romances citados acima foram escritos por jovens autoras radicadas no estrangeiro, que tentam empregar a leitura como forma de relembrar o passado, denunciar os crimes, e enterrar os mortos.

A exemplo de sua protagonista, Vaddey Ratner também era membro da antiga dinastia cambojana, e tinha apenas cinco anos quando o golpe aconteceu. Relembrar as experiências amargas do passado e transformá-las num romance deve ter sido, sem dúvida, um exercício doloroso – exercício este, no entanto, que a jovem escritora conseguiu realizar com uma beleza e uma leveza extraordinárias.

Mas, afinal, em meio a tantas tragédias e tantas histórias parecidas, o que faz do livro de Ratner um romance sem igual? A diferença, tão clara para quem o lê, é ao mesmo tempo tão sutil que fica difícil expressá-la em palavras. Talvez seja a serenidade característica do budismo, talvez o curso lento e ininterrupto das águas do Mekong, ou talvez a consciência de que nada é para sempre… O fato é que temos aqui a poesia de uma história focada não na perda, mas em tudo aquilo que resta, na beleza universal.

Título original: In the Shadow of the Banyan

País: Camboja

Idioma original: inglês

Ano de publicação: 2013

Edição em inglês: Simon & Schuster (ISBN 978-184-9837-60-6)

Edição em português: não há

Número de páginas: 352

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